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CRESCEM OS CUIDADOS COM QUALIDADE DE EMBALAGENS PARA PRODUTOS PERIGOSOS

A preocupação com a preservação do meio ambiente tem levado os setores que atuam no segmento de produtos perigosos a adotar a logística reversa para o recolhimento e reaproveitamento - reciclagem, refabricação e recondicionamento - das embalagens usadas. Um dos objetivos principais é impedir o descarte de recipientes contaminados na natureza. É através desta prática que milhares de embalagens que armazenam defensivos agrícolas, óleos lubrificantes e outros produtos perigosos já receberam a destinação adequada.

A logística reversa além de reduzir a utilização dos recursos naturais, também cria um regramento tanto para o armazenamento quanto para o reprocessamento dos produtos e materiais depois de usados ou consumidos. No que se refere à movimentação e armazenagem de produtos perigosos, não é apenas através da implantação da logística reversa que as empresas podem cuidar e preservar o meio ambiente. Algumas práticas mais simples já garantem essa contribuição.

É com este intuito que empresas que movimentam produtos químicos e outros produtos perigosos em Contentores Intermediários para Granéis (IBC, intermediate bulk contanier) têm que submetê-los à inspeção inicial e periódica em empresas credenciadas pelo Inmetro. De acordo com o engenheiro Carlos Ronaldo Metzner da Divisão de Programas de Avaliação da Conformidade (Dipac) do Inmetro, com a entrada em vigor da portaria do Inmetro 347/08, publicada em 3 de outubro de 2008, todo IBC em utilização no País sem o selo de identificação da conformidade do Inmetro e sem qualquer identificação de aprovação da conformidade do país de origem, estabeleceu o prazo máximo de 5 de novembro de 2009 para a realização da primeira inspeção. A inspeção dos IBC que possuem certificação do fabricante deve ser feita conforme os prazos estipulados na placa de identificação.

O regulamento técnico da qualidade para registro de empresa inspetora de IBCs utilizados no transporte terrestre de produtos perigosos, aprovado pela portaria Inmetro 280/08, de 5 de agosto de 2008, estabelece os requisitos para que as empresas se registrem no Inmetro para poderem atuar na inspeção.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos, Arno Gleisner, com a nova medida, os custos com a movimentação será maior. Por outro lado, ela também diminui os riscos para os próprios distribuidores. "É uma novidade que vem para melhorar o serviço de distribuição", destaca Gleisner.

Para a quantiQ, fiscalização garantirá mais segurança para o transporte.

O gestor de operações logística Sul da quantiQ, Marcos Arthuzo, conta que os produtos químicos movimentados em IBC não eram submetidos a uma verificação oficial, pela inexistência de critérios de avaliação para a sua reutilização. Em função disso, foi criada a portaria Inmetro 280/2008 para regulamentar tais critérios. Por falta de conhecimento, algumas empresas utilizam os mesmos contêineres até 20 ou 30 vezes já que não existe um limite pre-estabelecido de viagens para cada tipo de contentor, mas é importante inspecioná-lo a cada uso para assegurar que ele continua apto para a reutilização. "A inspeção visual e ensaio de estanqueidade estão previstos no item 4.1.1.12 da Resolução ANTT 420/2004 consolidada com suas alterações", destaca Arthuzo.

Ele lembra ainda que os IBC de plástico rígido ou compostos de plástico podem ser utilizados por um período máximo de cinco anos. Arthuzo explica que o tipo de IBC mais frequente no mercado é o denominado composto que consiste de um recipiente plástico, onde é depositado o produto químico e por uma estrutura metálica de proteção externa. O conjunto é apoiado sobre um palete metálico ou de madeira. "O problema é que algumas empresas na hora de fazer a manutenção usam a grade de um fabricante e o recipiente de outro ou ainda substituem válvulas e tampas, criando os denominados "frankenstein" conta Arthuzo.

Ele acredita que apesar de representar um custo extra, a inspeção vai garantir mais segurança para o transporte dos produtos químicos. "Em um primeiro momento, nos primeiros meses de implantação, a adaptação será um pouco tumultuada. Mas, depois, quando as empresas já estiverem acostumadas com as novas regras, tudo entrará no ciclo normal", destaca Arthuzo.

A quantiQ é a maior distribuidora de produtos químicos do Brasil. Empresa diversificada, atua em 52 segmentos do mercado industrial, concentrados em 14 macromercados com um portfólio de mais de 700 produtos, entre commodities e especialidades químicas. Possui estrutura de vendas baseada no conhecimento profundo dos mercados atendidos e dos produtos oferecidos, com equipes dedicadas estruturadas em 11 unidades de negócios, com atuação exclusiva por mercados.

A empresa tem presença em todo o Brasil por meio de uma estrutura comercial e logística com CDs em Canoas (RS), Guarulhos (SP), o maior centro de soluções para a indústria química na América Latina, numa área de 104 mil m2, e Duque de Caxias (RJ), apoiados por filiais logísticas em Simões Filho (BA) e Recife (PE). Tem filiais comerciais em Rio Grande (RS), São Paulo e Santos (SP) e Salvador (BA). Com receita bruta de R$ 803 milhões em 2008, a quantiQ cresceu 32% nos últimos dois anos, com movimento médio de cerca de 250 a 300 contêineres por mês para o mercado nacional.

A filial da Buschle & Lepper no Estado terá de se adequar às novas normas para a movimentação de contentores que entrou em vigor neste mês. A empresa, que fabrica, distribui e comercializa produtos químicos, insumos agrícolas e materiais de construção, movimenta a média mensal de mil contenedores, além de10 mil bombonas. O gerente comercial no Estado, Eduardo Miller Endler, destaca que até o início de outubro não havia empresas homologadas para executar a certificação dos contentores no Estado. "Através do Sindicato do Comércio Atacadista de Produtos Químicos foram contatadas empresas para que se cadastrassem junto ao Inmetro", conta Endler.

Para ele a medida possui vantagens e desvantagens. "Por um lado vai gerar um custo que certamente será repassado para o consumidor final.

Mas, ao mesmo tempo vai garantir a segurança, apesar de eu nunca ter visto acidentes com contêineres", afirma Endler. O problema que se torna um entrave para a execução dos procedimentos, na opinião de Endler, é que as leis no Brasil são difíceis de serem interpretadas. "Nos encontros promovidos pelo Sindicato sempre surgem dúvidas. Uma delas questionava quem seria o responsável pela descontaminação, se seria o distribuidor ou a certificadora".

As bombonas de transporte de produtos químicos também deverão ser certificadas, mas a data foi prorrogada para 2013. O envase e a descontaminação dos bombonas e contentores em uso pela Buschle & Lepper são realizados na matriz da empresa, em Joinville (SC). Endler conta que para trabalhar com produtos químicos e movimentá-los, a empresa precisa apresentar licenças concedidas pelo Ibama, Fepam e Polícia Federal. Além disso, Beuschle também possui certificações ISO 9001:2000, Prodir e SASSMAQ, e outras certificações que estejam incluídas no âmbito do mercado atendido pela empresa.

Sindicato reclama de procedimentos de avaliação O gerente executivo do Sindicato das Indústrias Químicas do Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim), Jonior Von Wurmb, não esconde sua preocupação com o desconhecimento de algumas empresas em relação à vigência da nova regra. Todos os IBC que já estão em uso e ainda não foram homologados tinham de passar pela inspeção até o dia 5. As empresas que se credenciaram junto ao Inmetro para fazer a inspeção são recuperadoras que vão atuar como Organismos Certificadores de Produtos (OCP).

Os contêineres encaminhados para a recuperação nestas OCP já receberão o material certificado na devolução. "Nem todas as empresas estão cientes de que precisavam submeter seus contêineres à inspeção. Seria importante que a ANTT e o Inmetro divulgassem mais esse trabalho, pois há ainda muitas dúvidas. A indústria que estiver transportando produtos químicos em contentores sem inspeção estará sujeito à multa", afirma Von Wurmb. Para ele, o procedimento vai onerar os custos dos transportes de produtos químicos. E defende que o ideal seria que houvesse mais organismos certificadores. Em relação à avaliação realizada nos contêineres novos para receber a homologação, Von Wurmb questiona alguns procedimentos. "Em um dos testes a que é submetida, a embalagem é mantida a uma temperatura de 180C abaixo de zero durante 24 horas. Depois, é feito o teste de quebra. Pergunto o porquê deixar em um ambiente desses se em parte alguma do Brasil temos temperaturas neste nível", argumenta.

FONTE: NTC & Logística e Jornal do Comércio/RS

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